Balanço anual número 4: 2012

Mais um ano, mais um balanço, e outra vez no último dia de fevereiro. Mas antes tarde que nunca, e aqui fica para memória futura o nosso balanço anual relativo a 2012.

1. Há um ano, escrevi que o acontecimento do ano tinha sido a nossa emancipação forçada. Emancipação por passarmos a ter distribuição própria, antecipada por não termos planeado que fosse tão cedo.

Com tanta surpresa e turbulência ocorrida no final de 2011, o ano seguinte teria de ser de consolidação, mas sem descurar a necessidade de crescer para sustentar a estrutura fixa.

Por isso, o acontecimento do ano de 2012 foi a consolidação e crescimento da editora.

Consolidámos sistemas, operações e procedimentos ao longo do ano.

Mudámos em abril para novas instalações na Amadora, deixando os escritórios da Portela e o armazém do Cacém.

Lançámos uma quarta chancela, e passámos a ter um nome para designar a editora.

Crescemos de 16 para 21 pessoas, que foram completar as equipas de vendas, logística, e marketing.

Passámos a visitar livreiros e grossistas independentes, e passámos a ter repositores de stocks próprios para as grandes superfícies.

Diminuímos substancialmente a dívida a terceiros provocada pelo buraco financeiro da falência da nossa distribuidora. Um milhão de euros que agora sabemos que são para dar como perdidos por inteiro.

2. Tivemos de aguentar novamente a CRISE. Mas este ano foi ainda pior. Perante a nossa incredulidade, o segundo semestre foi-se desviando cada vez mais dos objetivos, até praticamente paralisar no Natal. Aliás, os números públicos da GfK dizem que o mercado se contraiu 9% em valor em 2012, depois de já ter contraído 3% em 2011.

Por causa do agravamento da crise e da retração do consumo, cortámos e reformulámos o nosso plano editorial, publicando menos novidades que em 2011, que já tinha por sua vez estado abaixo de 2010.

Em 2012 publicámos 89 novidades (98 em 2011, 105 em 2010), com uma tiragem total de 310 mil exemplares (média: 3450 exs.), colocados a 60% no mercado.

Dos 260 títulos de fundo de catálogo, 28 tiveram vendas líquidas ao retalho superiores a 3 mil exemplares; idem para 14 das 90 novidades.

A repartição de vendas entre novidades e fundo de catálogo foi exatamente de 50/50 em valor. O top 20 de títulos representou 50% das vendas em valor, encimado por O Diário de um Banana 6, A Lista da Nossa Mãe, e Alex Cross.

Tivemos uma taxa de devoluções de 23%.

Com tudo isto, e apesar da crise, a nossa faturação cresceu 43%, para 2,75 milhões de euros, contra o objetivo inicial de 2,5M€ (30% de crescimento). Ainda planeámos e tentámos chegar aos 3 milhões, mas a quebra absoluta de consumo no Natal não o permitiu.

3. Apesar da crise, lançámos a nova chancela TOPSELLER. Livros que se devoram, num segmento importante mas onde ainda não estávamos: ficção adulta e juvem adulta. Sempre de qualidade e sempre para o grande público, que é esse o nosso mantra.

A Topseller arrancou a 1 de novembro com dois dos cinco autores mais bem sucedidos em todo o mundo mas sub-representados em Portugal: James Patterson e Janet Evanovich. Se lhes juntarmos Jeff Kinney, o autor dO Diário de um Banana na Booksmile, publicamos três dos autores do top 5 mundial (fonte: revista Forbes).

Temos grandes planos para Patterson e Evanovich. Do primeiro, iniciámos a série Alex Cross, de 16 volumes; da segunda, a série Stephanie Plum, que vai em 19 volumes. Só em televisão, investimos 100 mil euros (reais) para promover o lançamento da nova chancela.

A Topseller vai fazer jus ao seu nome e publicar títulos de tops de vendas nacionais. Aliás, como fizeram as suas chancelas irmãs em 2012: por exemplo, a Booksmile com O Diário de um Banana 6, talvez mesmo o livro infantojuvenil mais vendido do ano; a Nascente com A Lista da Nossa Mãe, e a Vogais com Um Dia Difícil.

4. Ah, e passámos finalmente a ter um nome para designarmos a empresa ou a editora (que publica sob quatro chancelas): 20|20 Editora.

20|20 significa visão perfeita.

20|20 significa 20 valores – trabalho de mérito, títulos de excelência, equipa excecional.

2020 significa ainda o ano de viragem, em que os livros em papel deixarão de representar a maior parte das nossas vendas. O futuro é o ebook, porque quem manda é o leitor, não somos nós.

5. Apesar da crise, vamos manter a nossa estratégia em 2013. Editar 137 novidades. Consolidar. Otimizar. Procurar novos canais de vendas. Exportar livros. Exportar direitos. Formar. Criar emprego.

A crise somos nós que a fazemos, a crise somos nós que a desfazemos. Por isso, apesar da crise, queremos crescer 46% em 2013, para vendas de 4 milhões de euros.

Vai ser muito difícil, e os dois primeiros meses do ano fazem antever mais do mau que foi 2012. Mas é o nosso sangue, é a nossa disciplina, é a nossa ambição que nos permitem definir esse objetivo.

É pois com orgulho que, ao balanço 4, apresento a 20|20 Editora como a mais jovem e dinâmica do top 10 nacional de editoras. E temos a equipa, os clientes, os leitores e a vontade para irmos ainda mais longe. Para todos, sem exceção, fica a mensagem de Greg, o herói do nosso maior bestseller:

VOCÊS RULAM!

PS Perguntam-me sempre porque divulgo tantos números. Respondo que os dados de balanço são públicos e qualquer pessoa os pode comprar por 10 euros ao Estado, pelo que não faz sentido escondê-los; mas, mais importante, pode ser que alguém possa aprender com as nossas melhores práticas.

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